Eram 6h da manhã. Você abriu os olhos e, por um segundo, apenas um segundo, tudo estava bem.
Depois voltou tudo. O peso no peito, a lista mental que nunca termina, aquela sensação difusa de que algo está errado, mas você não consegue nomear exatamente o quê.
Você dormiu. Tecnicamente descansou. Talvez até tenha dormido mais horas do que o habitual. E, mesmo assim, está exausto antes de o dia começar, antes do primeiro café, antes da primeira mensagem no celular.

Você já tentou dormir mais. Já tentou férias, o fim de semana sem compromissos, a academia, a meditação de dez minutos no aplicativo.
Algumas coisas até ajudam, por um tempo. Mas o peso volta. Sempre volta. E com ele, uma pergunta que você talvez ainda não tenha feito em voz alta: e se o problema não for o quanto você descansa, mas o quanto está desalinhado com a própria vida?
Esse cansaço que o sono não resolve tem outro nome. E tem endereço.
O cansaço que o sono não resolve
Existe um cansaço que não mora no corpo. Ele se instala devagar, ao longo de anos de decisões que faziam sentido no papel mas criavam um vazio no peito. De compromissos assumidos para agradar, para não decepcionar, para manter uma imagem que alguém, em algum momento, esperava de você. De uma vida construída com competência, com dedicação genuína, mas sem a âncora do que realmente importa.
