Existe uma conversa que você já teve consigo mesmo. Provavelmente de madrugada, quando o silêncio não deixa escapatória. Uma voz baixa, quase envergonhada, que pergunta: por que ainda estou aqui? Não em sentido existencial amplo, mas em sentido preciso e desconfortável. Por que ainda mantenho esse vínculo, esse relacionamento, essa obrigação, essa presença na minha vida que pesa mais do que sustenta?

E então, antes que a pergunta termine, chega a culpa. Rápida, eficiente, conhecida. “Quem sou eu para questionar isso? Depois de tudo que fizeram por mim. Depois de tudo que construímos juntos. Partir seria ingratidão. Questionar seria traição.”
E você engole a pergunta, vira para o outro lado, e tenta dormir carregando mais um peso que ainda não tem nome.
Mas ele tem. E nomeá-lo é o primeiro ato de liberdade.
